domingo, 8 de janeiro de 2017

Em Busca de Sentido - Viktor E. Frankl

Uma história incrível e emocionante que nos faz meditar na seguinte questão: Qual sentido estou dando a minha vida? 

O psicólogo Viktor Frankl relata sua experiência como prisioneiro em um campo de concentração, onde obteve valiosas experiências sobre a vida.

Segue um pequeno trecho do livro.

Certa vez, no transporte de prisioneiros de Auschwitz para o campo de concentração na Baviera, estávamos outra vez olhando por entre as grades da abertura de um vagão. Quem tivesse visto nossos semblantes arrebatados, a contemplar as montanhas de Salzburgo, cujos picos resplandeciam das cores rubras do sol poente, jamais acreditaria tratar-se de rostos de pessoas que nada mais esperavam da vida. Mesmo assim (ou, quem sabe, justamente por isso?) eles estavam enlevados ante a beleza natural que não viam há anos. E mesmo dentro do campo, alguém chama a atenção do companheiro de trabalho para algum quadro deslumbrante que está ao alcance dos olhos, como certo dia em plena Floresta Bávara (onde nos puseram a construir gigantescas fábricas subterrâneas de armamento). Entre aqueles pinheiros altíssimos, o sol poente resplandece como na famosa aquarela de Dérer. Outra vez, à noitinha, estávamos estendidos no chão de terra do barracão, mortos de cansaço, o prato de sopa na mão, quando entrou um companheiro correndo e mandou-nos depressa para a área de chamada da turma, apesar de toda a nossa fadiga e do frio lá fora, só para não perdermos uma visão magnífica do pôr do sol. Vimos, então, o ocaso incandescente e tenebroso, com todo o horizonte tomado de nuvens multiformes e em constante transfiguração, de fantásticos perfis e cores sobrenaturais, desde o azul cobalto até o escarlate sangue, contrastando pouco mais abaixo com os desolados barracos cinzentos do campo de concentração e a lamacenta área onde é feita a chamada dos prisioneiros, em cujas poças ainda se refletia o céu incandescente. E alguém exclamou após alguns minutos de silêncio arrebatado: "O mundo poderia ser tão belo!"